sexta-feira, 18 de abril de 2008

No Faial só biológico

O secretário açoriano da Agricultura admitiu ontem que a ilha do Faial poderá ser a primeira do arquipélago a possuir uma produção agro-pecuária totalmente biológica No final de um encontro com as associações agrícolas e com a Cooperativa de Lacticínios do Faial, Noé Rodrigues adiantou que vai ser realizado um estudo para determinar a viabilidade desta medida.

A intenção é criar novos produtos de valor acrescentado, com grande aceitação no mercado nacional, à base de produção biológica, incluindo os produtos lácteos, a carne e mesmo a floricultura. O governante salientou que as quantidades de adubos e químicos utilizados anualmente pelos produtores do Faial são relativamente baixas, quando comparadas com outras ilhas, o que indicia que a agro-pecuária já se realiza de uma forma muito próxima da biológica. Contudo, o processo de certificação da produção biológica é demorado e complexo e que poderá demorar, pelos menos, três anos. A implementação deste tipo de produção dependerá também da capacidade de produção da Cooperativa de Lacticínios do Faial e da aceitação dos agricultores locais.

Confrontado com esta ideia o presidente da Direcção da Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Faial manifestou-se optimista quanto à possibilidade de implementar uma produção biológica na ilha. No seu entender, “trata-se de uma ideia interessante”, que vai permitir “valorizar os produtos” da ilha e “recolher frutos mais tarde ou mais cedo”. A pequena dimensão da produção agrícola do Faial, poderá facilitar a implementação da produção biológica, bem como a sua fiscalização.

Fonte: Lusa

Opinião pessoal

Este é um grande passo na divulgação da AB, com a maior produção de produtos biológicos o preço destes irá baixar assim como a aceitação destes. Tudo isto permitirá que as pessoas tenham uma maior qualidade de vida e a Natureza será preservada.

Pressa nas rações GM

A Valouro tem uma filial dedicada à importação de matérias-primas (Oleocom) cujos responsáveis expressaram ontem as suas preocupações por dentro de alguns meses se verem impossibilitados de fornecer soja, proteína de origem vegetal da qual são deficitários. Segundo informou o grupo, produtor de rações e de animais, o país importa cerca de 80 por cento das matérias-primas para a preparação e fabrico dos produtos compostos para animais, com destaque para a soja. «Há o risco muito sério de a curto prazo (seis meses), com a introdução de quatro novas variedades de OGM de soja nos EUA, Brasil e Argentina, a Europa ter uma ruptura de fornecimentos. «Podemos de um momento para o outro haver uma ruptura de fornecimento de produtos de origem animal para a carne, leite e ovos».

De acordo com o administrador, a Europa vai aprovando os OGM de forma desfasada dos outros países produtores e «há aqui um interregno que cria sérias dificuldades». Esta discrepância «impede-nos de utilizar OGM de forma rápida porque enquanto não estão autorizados na Europa a tolerância à contaminação destas variedades é zero». «A Europa fica impossibilitada de fazer importações de soja da qual depende em larga escala. Dependemos da soja importada dos EUA, do Brasil e da Argentina onde não há garantia que não seja geneticamente modificada».

Ao aparecerem novas variedades de OGM na próxima campanha em países produtores, e não havendo a nível europeu uma «sincronização» nas autorizações com estes países, «devido à pesada máquina burocrática da UE e a forças como o Greenpeace que se opõem por princípio a qualquer OGM, leva a que haja estes desfazamentos», sublinhou. Para Chaveiro Soares está «mais que se provado que os OGM não têm qualquer inconveniente para a saúde dos consumidores».

O presidente da subcomissão de Agricultura disse que relativamente aos OGM existe um «paradoxo» considerando que é necessária uma clarificação por parte da Comissão Europeia (CE). «É proibida (na Europa) a adição de determinados OGM nos alimentos dos animais mas depois é autorizada a importação de carne de países onde esses mesmos OGM são introduzidos nesses alimentos, é um paradoxo que a UE tem que clarificar».

Fonte: Lusa

Opinião pessoal

Embora possam discordar da utilização de transgénicos o deputado tem toda a razão, a situação dos transgénicos na UE tem de ser clarificada pois estamos a consumi-los de um modo ou de outro e as leis para impedir que isto aconteça são pouco explícitas.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Estudo confirma que a Agricultura Biológica é melhor que a convencional


Os alimentos biológicos são melhores do que os alimentos não biológicos, segundo as principais conclusões de um estudo co-financiado pela União Europeia. O projecto conduzido pela Universidade de Newcastle, encontrou uma tendência geral segundo a qual os alimentos biológicos contêm mais antioxidantes e menos ácidos gordos do que produtos idênticos cultivados por processos convencionais.

Este estudo envolveu 33 instituições científicas, independentes, sendo até ao momento o maior estudo sobre alimentos provenientes da Agricultura Biológica (AB). As conclusões revelam que estes alimentos são mais nutritivos, do que os restantes, e podem contribuir para o aumento da esperança média de vida.

O projecto de quatro anos, com um orçamento de 12 mil libras, poderá terminar com os longos anos de debate sobre este tema e provavelmente derrubará a actual posição do governo inglês e da Agência Inglesa para os Padrões Alimentares (Food Standards Agency - FSA) segundo a qual os alimentos biológicos não são mais do que uma escolha de estilo de vida para os quais não existem evidências de vantagens nutritivas.

Os investigadores cultivaram frutos, vegetais e criaram gado com técnicas de AB e não biológica numa quinta próxima da Universidade de Newcastle, bem como em outros locais da Europa. Os resultados indicam que foram “encontrados níveis entre 50% e 80% mais elevados de antioxidantes no leite do gado proveniente de pastagens biológicas face aos alimentados em pastagens não biológicas. O trigo, os tomates, as batatas, o repolho, as cebolas e a alface mostraram níveis de nutrientes 20% a 40% superiores aos níveis de nutrientes presentes em alimentos não biológicos”. Os cientistas acreditam que este factor pode reduzir o risco de cancro e doenças do coração, duas das principais causas de morte entre os britânicos. Estes alimentos biológicos também tiveram níveis mais altos de minerais benéficos à saúde, como ferro e zinco.
O professor Carlo Leifert, coordenador do projecto, disse que as diferenças foram tão marcantes que a produção de alimentos biológicos ajudaria a aumentar a dose nutritiva dos indivíduos que não comem as cinco porções diárias de fruta e legumes. Segundo Leifert, o governo inglês enganou-se ao afirmar não haver nenhuma diferença entre produtos biológicos e não biológicos, “já existem bastantes evidências que indicam o elevado nível de vantagens dos alimentos biológicos”.

Mas o estudo, ainda a publicar, também mostrou variações significativas. Para Carlo Leifert o estudo mostra que "há mais compostos desejáveis nutritivamente e menos dos indesejáveis nos alimentos biológicos. A nossa pesquisa está agora a tentar descobrir de onde vem essa diferença entre os alimentos biológicos e os não biológicos. O que realmente nos interessa é descobrir o porquê de tanta variabilidade no que diz respeito às diferenças, o que leva a que o sistema agrícola permita um nível mais alto de conteúdos nutritivos desejáveis e menor para conteúdos indesejáveis”. Para este investigador “o que se espera é que estas conclusões do estudo ajudem os agricultores biológicos a melhorar a qualidade dos seus produtos”. Os resultados finais do projecto serão publicados durante os próximos 12 meses.

A FSA, actualmente afirma "os consumidores também podem decidir comprar alimentos biológicos porque acreditam que são mais seguro e mais nutritivos do que os outros alimentos, contudo, as evidência científicas actuais não apoiam esta visão". Mas a organização está a avaliar se os alimentos biológicos possuem maior conteúdo nutritivo e não-nutritivo, devendo ser publicado no próximo ano um relatório sobre este tema.